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Documentos apontam transferência suspeita de caminhão doado pela Codevasf em Brejo

Caminhão avaliado em R$ 382 mil e destinado a uma associação quilombola teria sido transferido para o nome da esposa do vereador Junior Moraes e posteriormente apareceu com identificação ligada ao gabinete parlamentar.

Por Redação Tá na Mídia · 2026-09-09 23:06:35

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Documentos apontam transferência suspeita de caminhão doado pela Codevasf em Brejo

Documentos relacionados à doação e ao registro de um caminhão destinado a uma associação quilombola no município de Brejo, no Maranhão, levantam questionamentos sobre o destino dado ao veículo após sua entrega pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Segundo documentos apresentados à reportagem, o caminhão Mercedes-Benz Accelo 817, zero-quilômetro e avaliado em aproximadamente R$ 382 mil, foi originalmente destinado à Associação Comunitária dos Negros de Quilombo Data Saco das Almas do Povoado Faveira.

Registros posteriores indicam, no entanto, que o veículo teria sido transferido para o nome de Aurenice Bastos da Silva, apontada nos documentos encaminhados à reportagem como esposa do vereador Junior Moraes, do município de Brejo.

Imagens e publicações relacionadas ao caso também mostram o caminhão com identificação contendo a inscrição “Casa de Apoio - Gabinete do Vereador Junior Moraes”, fato que levanta questionamentos sobre a utilização e a finalidade do bem originalmente destinado à entidade comunitária.

DOAÇÃO DA CODEVASF

De acordo com o Termo de Doação com Encargos nº 08.0022.00/2026, datado de 30 de março de 2026, o caminhão teria sido destinado oficialmente à Associação Comunitária dos Negros de Quilombo Data Saco das Almas do Povoado Faveira.

O documento registra o veículo como zero-quilômetro e avaliado em R$ 382 mil. A entrega teria sido formalizada com a participação do representante legal da associação, Francisco José Almeida.

TRANSFERÊNCIA PARA PESSOA FÍSICA

Menos de dois meses depois da doação, documentos da Autorização para Transferência de Propriedade de Veículo (ATPVE), apresentados à reportagem, indicam que a associação teria autorizado a transferência do caminhão em 25 de maio de 2026.

No documento, o valor declarado da operação aparece como R$ 100 mil, tendo como adquirente Aurenice Bastos da Silva.

A diferença entre o valor de aproximadamente R$ 382 mil atribuído originalmente ao caminhão e o valor declarado na transferência também é um dos pontos que podem ser esclarecidos pelos envolvidos e, eventualmente, pelos órgãos responsáveis pela apuração.

Em 28 de maio de 2026, o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo Digital (CRLV-e) teria sido emitido pelo Detran-MA em nome da nova proprietária.

CAMINHÃO APARECE COM IDENTIFICAÇÃO LIGADA AO VEREADOR

Outro ponto que chama atenção está relacionado à utilização do veículo depois da transferência.

Imagens apresentadas à reportagem mostram o caminhão com a inscrição “Casa de Apoio - Gabinete do Vereador Junior Moraes”.

A utilização de um veículo originalmente destinado a uma associação comunitária com identificação relacionada à atuação de um parlamentar levanta questionamentos sobre eventual alteração da finalidade estabelecida para o bem.

Até o momento, porém, não há decisão judicial apresentada à reportagem que reconheça a prática de crime ou ato de improbidade administrativa por parte dos citados.

CRONOLOGIA DO CASO

30 de março de 2026 — O Termo de Doação com Encargos nº 08.0022.00/2026 formaliza a destinação do caminhão à associação quilombola do Povoado Faveira.

25 de maio de 2026 — Documento de transferência apresentado à reportagem registra operação pelo valor declarado de R$ 100 mil para Aurenice Bastos da Silva.

28 de maio de 2026 — O CRLV Digital teria sido emitido em nome da nova proprietária.

Posteriormente — Imagens relacionadas ao caso mostram o caminhão com identificação da “Casa de Apoio - Gabinete do Vereador Junior Moraes”.

REGRAS DA DOAÇÃO PODEM SER PONTO CENTRAL DA APURAÇÃO

As condições estabelecidas no Termo de Doação da Codevasf deverão ser um dos principais pontos analisados caso o episódio seja oficialmente apurado.

Segundo as informações e documentos apresentados à reportagem, o instrumento de doação estabeleceria restrições para alienação do veículo e vincularia sua utilização às finalidades sociais da entidade beneficiada.

Caso os órgãos competentes concluam que houve descumprimento das condições estabelecidas, poderão ser adotadas medidas administrativas previstas no próprio instrumento de doação e na legislação aplicável.

Eventual responsabilização criminal, civil ou administrativa depende, entretanto, de investigação e conclusão das autoridades competentes.

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO TERIA DENUNCIADO O CASO

Segundo informações encaminhadas ao Tá na Mídia, o presidente da associação, Francisco José Almeida, teria questionado a transferência e o destino dado ao caminhão.

Após a repercussão das denúncias, o veículo teria sido novamente entregue à associação e deixado nas proximidades da residência do dirigente comunitário.

A reportagem busca confirmar de forma independente as circunstâncias exatas em que ocorreu essa devolução.

CASO PODE SER ANALISADO POR ÓRGÃOS FEDERAIS

Como o veículo foi destinado por meio da Codevasf, empresa pública federal, eventuais irregularidades relacionadas à destinação do patrimônio podem ser levadas aos órgãos competentes de fiscalização e investigação.

Dependendo da natureza dos fatos e da definição de competência, o caso poderá ser analisado por instituições como o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e órgãos de controle.

Cabe às autoridades competentes determinar, após análise dos documentos e demais elementos, se houve alguma irregularidade ou prática de ilícito.

O OUTRO LADO

Em respeito ao contraditório e ao direito de resposta, o Tá na Mídia busca manifestação do vereador Junior Moraes e de Aurenice Bastos da Silva sobre os documentos e as circunstâncias relatadas nesta reportagem.

Entre os esclarecimentos solicitados estão os motivos da transferência do caminhão para o nome de uma pessoa física, o valor declarado na operação, a utilização do veículo com identificação ligada ao gabinete parlamentar e as circunstâncias de sua posterior devolução à associação.

Até a publicação desta matéria, não havia manifestação incorporada à reportagem sobre esses pontos.

O espaço permanece aberto para os esclarecimentos dos citados e para manifestações oficiais da Codevasf, do Detran-MA, da associação comunitária e dos demais órgãos eventualmente envolvidos.

A reportagem será atualizada caso novas informações ou manifestações oficiais sejam apresentadas.