Em uma sessão tensa que durou mais de cinco horas, o Senado Federal rejeitou, por 29 votos a 28, a emenda constitucional que ampliaria os poderes do Poder Executivo sobre a execução do orçamento federal. A derrota foi considerada um dos maiores reveses políticos do governo nos últimos doze meses.
- A PEC precisava de 49 votos (três quintos do Senado) para ser aprovada — ficou 20 votos abaixo
- Seis senadores da base aliada votaram com a oposição, incluindo dois líderes de bancada
- O Planalto convocou reunião de emergência para a tarde desta quarta-feira
- A matéria pode retornar à pauta em 60 dias com texto modificado
A ministra-chefe da Casa Civil foi a primeira a reagir publicamente, afirmando que o governo "respeita a decisão do Legislativo" mas que trabalhará "incansavelmente" para reverter o resultado nos próximos meses. A declaração foi vista por parlamentares como uma sinalização de que a proposta não morreu — apenas foi adiada.
Nos bastidores, interlocutores do governo confirmam que a derrota foi em parte produto de uma negociação mal conduzida na última hora. Dois senadores que sinalizaram voto favorável até a véspera teriam mudado de posição após reunião de seus partidos na manhã de hoje — movimento que pegou a articulação política do Planalto de surpresa.
O episódio reacende o debate sobre a capacidade do governo de articular sua pauta no Congresso. Em semanas de maior pressão legislativa, a tendência do Executivo de concentrar as negociações em poucos ministros tem sido apontada como fator de vulnerabilidade por parlamentares dos próprios partidos da base.